
UxUx - Qual a tua visão sobre a cena de ontem e a cena de hoje no Acre?
Ricardinho - Ouve um amadurecimento na cena local, digo isso porque hoje é possivel ver bandas fazendo apresentações com composições próprias, bandas gravando suas músicas, produzindo um material para comercialização, isso, há alguns anos, era raro ou nem existia, os festivais tão crescendo. Acho que estamos no caminho para fortalecer mais a cena e manter ela forte que é o mais dificil. As bandas e os produtores estão precisando tratar as coisas com seriedade e profissionalismo, se uma banda levar hoje para o seu show, uma pano de fundo, um técnico de som ou tentar trabalhar sério, muita gente vai dizer que é "estrelismo". Temos que parar de confundir estrelismo com profissionalismo e fazer a coisa caminhar, pois já vimos que temos um público sempre presente, precisamos é divulgar a parada para atrair mais gente.
Porém, para a cena crescer, não depende somente das bandas, tem o trabalho dos produtores, tem a galera que faz a cobertura nos eventos e o próprio público que muitas vezes não quer pagar o ingresso, quando essa galera se conscientizar que quem faz a cena cresce é quem ta presente nos eventos, pagando ingresso, a coisa vai caminhar com mais facilidade
UxUx - Você considera a cena do Acre unida? você acredita que seja uma boa cena?
Ricardinho - A cena no Acre se não for unida pelo menos tem se suportado bem, lembro que no tempo do velho coreto da praça a gente (metal) tava lá organizando, bebendo, coversando e tocando juntos com bandas punks, depois começaram a aparecer as bandas evangelizas e a galera soube respeitar, até porque é uma cidade pequena e não tem como dividir uma cena que já é pequena em várias coisas, senão vai sobrar 10 pessoas para cada seguimento. Se tem alguns desentendimento eu associo mais a alguma coisa pessoal, nada musical ou de ideologia, claro, tenho minha opinião sobre um monte de coisas, mas prefiro usar a flexibilidade e conseguir conviver com todos numa boa e acho que a maioria das pessoas fazem o mesmo, vejo um respeito (ou algo parecido) muito grande entre as pessoas da cena metal do Acre.
UxUx - Existe um documentário sobre a cena underground do Acre intitulado 'O Heavy Metal Acreano', no qual você e o Bala tiveram o intuito de realizar, me fale um pouco sobre ele, como foi a ideia de fazer?
Ricardinho - Na época eu cursava Administração no IESACRE e fiquei sabendo de um festival de vídeo da faculdade onde tinha premiação em dinheiro e tal, o Bala tinha feito um curso de edição em São Paulo e tinha programa de edição e filmadora em casa, a gente vivia filmando nossos shows e tal, por isso tivemos a idéia, eu escrevi a gente no Festival, decidimos fazer o documentário sobre o Heavy Metal Acreano e fomos os vencedores, foi massa...
UxUx - Há previsão para um novo documentário?
Ricardinho - Depois de assistir "A Headbanger journey" chegamos a comentar uma nova versão ou um novo documentário, mas queremos uma coisa bem mais elaborada e até agora não saiu do papel, foi até bom você perguntar, me fez lembrar (rsrsr).
Fora esse novo documentário tenho idéia de um outro, esse chegamos até colocar no papel, mas o Ricardo (Ri) viajou e estou esperando ele retornar...
UxUx - Existe um eixo das cenas entre Rio Branco e Porto velho, como é a relações entre essas duas cidades?
Ricardinho - Antes de tudo é uma relação de amizade e muito metal, pra mim começou em 2000 (eu acho) quando a Dream Healer foi tocar pela primeira vez lá, fui junto ver o show dos caras e conhecemos: Alberto (batera da Sortilégio), Marcondes (Cogumelo Nuclear), Sergio, Camarão, Anderson (Sortilégio), Gustavão (Bedroyt) entre outros, a partir dai começou o intercâmbio entre os dois Estado, a gente produzia aqui e trazia ou tentava trazer os caras, os caras produziam lá e levava a gente, nessas ida e vinda conhecemos também a galera do Metal RO, e a cada ida ou vinda a gente vai sempre conhecendo outras pessoas o que serve para fortalecer ainda mais a cena e esse intercâmbio.
UxUx - Como foi que você começou a organizar e realizar show's em Rio Branco?
Ricardinho - Sempre digo que esse papel de Produtor Cultural foi por necessidade, dá muito trabalho produzir e tocar, por mim eu só tocava, porém se não fizesse isso onde era que a gente ia tocar? A silver Cry fez sua estreia no Fábrica em 2000 eu acho, mas o eventos eram poucos e a gente começando queria tocar sempre, foi quando eu junto com Bala começamos a produzir, acho que o "I Special Night Heavy Metal" foi o primeiro que produzimos, foi lá no São Francisco, na casa do João Neto (vocalista da Fire Angel), o local chamava Pub Metal e a partir dai a gente não parou mais, era legal sair de madrugada pregando cartazes pelas ruas, naquele tempo não tinah orkut (rsrsrsrs), só tinha o MIRC...
UxUx - Ricardo, você como organizador de eventos de metal, quais as maiores dificuldades para de trazer uma banda de fora para tocar em Rio Branco?
Ricardinho - Com certeza a distância (eu não sei se são eles que moram longe ou a gente), mas passagens são caras demais, pra você ter idéia o último Feliz Metal metade do orçamento foi com as passagens dos caras, se não tiver projeto aprovado em Lei de Incentivo (como foi o caso do V Feliz Metal), ou apoio de alguém bancando as passagens é quase impossivel trazer uma banda, porque o lucro de quem produz está na bilheteria e na venda de cerveja, e isso não vai dá R$ 8 000,00 nunca, que é mais o menos o preço de 5 passagens São Paulo/Rio Branco/São Paulo.
O II Feliz Metal fizemos sem apoio e trouxemos o Steel Warrior, o resultado foi um prejuízo muito alto, e se você pesquisar quem trouxe bandas de fora pra cá sem apoio forte para passagens pode ter certeza que tirou do bolso e pagar para organizar evento, sinceramente eu não estou mais afim disso não, prefiro nem fazer.
UxUx - Aqui em Rio Branco acontece um dos maiores eventos de metal da região norte,o 'Feliz Metal' um evento realizado pela a galera da Dream.Cry Produções pelo qual você faz parte, um evento anual que sempre acontece no dia 25 De Dezembro.Como surgiu a ideia de faze-lo, a ideia era mesmo fazer um evento anual?
Ricardinho - Começou em 2004, naquele ano a gente estava guardando as latinhas de cerveja que a gente tomava (eram muitas) para fazer uma festinha nossa mesmo, era idéia do Saulo, aliás a festa ia ser na casa dele, porém no final do ano tinham muitas latinhas e até que deu uma grana boa, dai alguém teve a idéia de fazer um show ao invés de uma festa, pagamos com o dinheiro das latinha o SBORBA, e ainda sobrou um pouco, pegamos alguns patrocinios em empresa e pagamos os outros custos, como estavamos na época de fim de ano e rola toda aquela coisa de solidariedade decidimos cobrar na entrada apenas 1KG de alimento que nos mesmos fomos entregar no bairro Wilson Ribeiro, e assim realizamos o I Feliz Metal.

UxUx - Em muitos cantos do Brasil exitem lugares reservados para a galera que gosta de um bom rock, que são os rock bares. O que você acha da ausencia desse tipo de coisa aqui em Rio Branco? O 'Metalhukas' poderia ser uma nova alternativa?
Ricardinho - Rio Branco é uma cidade pequena, a população é pequena, pode ter certeza que a falta de bares nesse estilo é por causa disso, ninguém trabalha de graça, só a gente mesmo (rsrsrsrs), abrir um bar nesse estilo é muito trabalho e pouco dinheiro, e quem quer isso? Quem é o amante do rock tão amante que vai se ferrar todas as noite para não ganhar nada há não ser cansaço e um monte de bebados chatos? (rsrsrrs) O Metalhukas pode ser uma alternativa, sim. Decidimos fazer o Metalhukas para custear o nosso disco (caso contrário a gente ia ter que pagar do nosso bolso mesmo, então melhor trabalhar pra pagar desse jeito, fazendo shows) e porque a gente quer movimentar a parada, abrindo espaço para as bandas e fazendo um ponto de encontro pra galera que curte o estilo, mas quero ver quanto tempo vamos aguentar carregando caixas, cadeiras, mesas, tocando, vendendo cerveja, cobrando entrada etc... Espero que a gente aguente muito tempo, mas é cansativo....
UxUx - Agora pra finalizar, eu queria que você deixasse suas confiderações finais, e se tiver alguma coisa pra falar que não foi dita, o espaço esta reservado.
Ricardinho - Toda entrevista termina assim e todo entrevistado termina com.... Eu é que agradeço o Buerada Zine, pelo espaço (rsrsrrs) ainda mais que fiquei sabendo que o Buerão (meu blog) inspirou o Buerada, estamos ai a disposição, quando precisar é só falar, manda um e-mail, um scrap etc..
Aproveito pra pedir que o Buerada, assim como o Metal Acre, esteja presente sempre, fazendo coberturas de eventos, entrevistas com a galera para não deixar esse momento que está sendo tão bom acabar.... Vida longa a Bueradaaa